jun 13 2018

Real, muro e não real

Ela tem 23 anos. Redatora transmídia, trabalha dia e noite. No horário diurno, cria textos para uma grande revista semanal de notícias. Trabalha no editorial de política. Faz textos sobre casos de investigação anticorrupção, prefeituras e governos. Em casa, à noite, faz o contrário. Inspirada em casos reais que vê na tela da televisão, visita pessoas carentes na rua, entrevista cada um desses excluídos sociais, volta para casa e escreve as histórias deles. De dia, encara téte-à-téte os poderosos. De noite, desvenda frente a frente as maiores vítimas desses poderosos. De dia, escreve textos com o ângulo da elite. De noite, apura o drama de quem vive a realidade das ruas, com a visão de quem não está nem no poder nem no limbo da história. Ela sente-se em cima de um muro, ela simplesmente observa os exploradores e os explorados. A cada dia que passa, sente essa dicotomia mais intensa. Não entende como o mais forte despreza o mais fraco. Então, resolve passar para o lado dos pobres. Sai do apartamento alugado em Higienópolis e vai viver na favela. Vivencia uma realidade mais nítida: crianças desnutridas, esgoto a céu aberto, segurança controlada pelo tráfico, fome. Por outro lado, mais união, solidariedade, fraternidade. Definitivamente, deixou o muro para entender a língua do povo. Agora, transmite a língua do brasileiro verdadeiro. Divulga essa gente. E, incrivelmente, sente mais harmonia, mais amor na alma.


mai 28 2018

Despedidas

Lara é uma neta exemplar. Trabalha, estuda, ajuda pai, mãe, avô e avó. Secretária bilingue de uma empresa transportadora, destina o maior bolo do dinheiro para a família. Carinhosa, sempre teve o sonho de conhecer alguém e casar. Um pouco triste, amargurada por ter sido abandonada pelo noivo, ainda nutria esperanças de unir seus trapos com os de algum homem bom. Até que Seu Odair fica doente. Moradora de Santos, Lara se desloca até São Paulo, para se despedir do querido parente. Ele sempre torceu pela menina, desde criança. Amoroso, dava dicas para ela ser feliz. Lara se aproxima do leito e vê o avô em fase terminal. Ela sussura no ouvido do velho: “Vô, não esqueci do segredo. Estou pensando positivo. Cultivo minha fé a cada segundo. Sou feliz. Sou vitoriosa, porque tenho o senhor a meu lado. Obrigado, vô. Eu te amo muito”. Ele, de repente, sorriu. Alegre, ela correu para o Metrô, com receio de perder o ônibus. A greve dos caminhoneiros a preocupava. Não podia deixar de trabalhar. Na estação Cqmpo Limpo, conheceu um jovem, que a encantou. Ele a orientou sobre como chegar a seu destino e ouviu pacientemente sua história. Mas nada disse. Misterioso, o rapaz. Chegou a estação dela, agradeceu. Saltou do trem. Esqueceu dos contatos. Ficou na memória o brilho daqueles olhos e a esperança de encontrar seu príncipe. A porta fechou e ele se foi. Outro dia, quem sabe.


mai 23 2018

Objetividade

Jandir era líder, erudito, pouco objetivo, elucubrava em prosa qualquer. Quando traía o camarada, dava tapinhas no ombro da vítima. Levei dois, logo depois da demissão sem justa causa. Bete era rígida, muito direta, no trabalho e nas conversas de bar. Essa, sim, leal até o último segundo. Ela se foi, mas não deixei de admirá-la. Edson era inteligente, mas não reconhecia forasteiro, gente que não era de sua confiança. Falava demais, mas agradava a equipe. Lamentei o pouco convívio, veio a crise, ele arranjou desculpa pra sair. Cristian era sério e altivo, tinha acento de voz. Roni tentava envolver, mas era envolvido. Deixava se levar pelos aliados puxa-sacos de plantão. Detestado, imaginava ser um empreendedor admirado. Pouco conciso, cínico, não vi mais. Marcelo virou youtuber. Virou a mesa: adotou um estilo irônico e debochado. Fala demais. Mas pensa antes de falar. Nonato foi o cara mais objetivo que conheci. Deliberava com apenas uma ou duas palavras. Exigente e ríspido, ordenava e seguia em frente. Não entendia aquela sobriedade absurda. Conversamos pouco. Marina fechava a revista com alegria. Natural e espontânea, sempre foi muito admirada e respeitada. Era honesta, sincera. Somos amigos até hoje. Ela é objetiva nas reuniões, fora delas é tagarela! Larissa era séria e tinha um modo de ser muito peculiar. O sorriso dela é lindo, aberto, escrachado, mas sua objetividade severa ofusca o brilho de seu talento. Márcia fala tudo que pensa, não mede palavras. Mas o medo do patrão poderoso deturpa a sua conduta e as relações. Denilson era um objetivo editor. Fomos leais um com o outro. Mas o show tinha que continuar. Ator perdido no palco é carta fora do baralho. Com poucas palavras, magoou. Objetividade maligna. Depois veio Maurício, que tinha objetividade certeira, convicta. Mas tensa. Hoje aprendeu a voar, sentindo as vantagens da leveza de ser. Depois apareceu Bentão, grandalhão gente boa, generoso. Aprende essa estranha habilidade da objetividade com a equipe, dia a dia. Aprende junto. Estou nessa. Sou um aluno dessa disciplina. Assim como Bentão e alguns dos meus ex-chefes citados acima, vivencio os exercícios da vida, com suas provas, nesta jornada da evolução. Guardo um pouco de cada um, rumo ao objetivo: ser objetivo.


mai 21 2018

Repeteco

O homem insistia. Mas não era aquela insistência de persistência, de força, de fé, de cabra corajoso. Ele insistia no erro. Casou com a mulher errada. Anos depois, resolveu morar com outro cara. Separou mais uma vez. Conheceu outra mulher errada. E casou de novo. Separaram. Apareceu outro cabeludo e se encantou. Casou na Espanha. Não deu certo. No campo profissional, o sujeito foi serralheiro, mas quase serrou a mão do patrão. Motorista de ônibus, não parava nos pontos. Sem passageiros, a empresa não arrecadava. Demitiu o distraído funcionário. Na função de segurança, tinha receio de pegar na arma. No primeiro assalto, quase foi baleado. O ladrão resumiu o perfil do medroso guardião: “Seu cagão”. Demitido novamente. Refletiu sobre a vida e decidiu: tentaria tudo de novo, voltando ao que era antes. A ideia, estapafúrdia: conquistar a primeira mulher e voltar ao ofício de serralheiro. Conseguiu. As brigas com ela não demoraram a surgir. E a mão finalmente… Decepada. Dessa vez, a dele. Sem a velha aliança e sem a mão, decidiu seguir em frente. E não olhar para trás. Nunca mais.


mai 13 2018

Deixar para trás

Nada como caminhar e deixar o que passou para trás. Tudo aprendizado, tudo objeto de um baú de memórias. Até os dez anos, Rodrigo foi um menino alegre e brincalhão, inteligente e reseliente. Adolescente, sentiu aquelas sensações estranhas de qualquer depressivo fóbico. Jovem, amou, mas a instabilidade afastou seus amores. Adulto, aprendeu a lidar com um mundo desigual e injusto, onde a competitividade disputa espaço com a solidariedade. Volúvel, demorou para perceber que seu maior propósito é estar. Estar disponível para o outro, ajudar com o que tem e o que não tem. Sua maior frustração, hoje, não é a rejeição, mas, sim, a omissão. Sofreu com isso, sofreu com a frustração de imaginárias rejeições, sofreu também com reais omissões, de não ter ajudado no momento certo. Quantos homens trabalhadores, desempregados, ganhando a vida, cachorros esfomeados passando em frente, com a esperança de serem resgatados, crianças vendendo balas no Metrô sem apoio do Estado e dos que se dizem dignos e sóbrios. Professores que ignoram alunos com nítida dificuldade, amigos que, em nome da religião, ignoram seus amigos. Ou até mesmo mulheres que transformam o batismo de seus filhos em uma festa fechada. Nada é mais legítimo agora do que limpar a casa para se viver melhor nela. Essa casa nada mais é que a casa mental. Colocar ordem é a primeira ação, não somente necessária, porém urgente. Organização para caminhar em paz, livre de obsessões e oportunistas. Com a paz plena, consciente, enxergando aquele limiar entre a razão e a emoção, entre a depressão e a euforia, entre o bem e o mal, entre o positivo e o negativo.


mar 3 2018

Até que Ponto?

Até que ponto o ser humano pensa para chegar à perfeição?
Até que ponto nos esforçamos para preservar a nossa saúde e respeitar a do outro o suficiente?
Até que ponto fazemos e sentimos no sentido de evoluir, de evoluirmos juntos, sem aquele gesto competitivo?
Até que ponto amamos plenamente, superando as limitações do materialismo?
Até que ponto chegamos ao ponto de equilíbrio necessário e real, não aquele ilusório e conveniente?
Até que ponto respeitamos o próximo para sermos respeitados?
Até que ponto agradamos aos outros para merecer alguma atenção?
Até que ponto dedicamos nossa paciência e nosso foco a quem precisa para que algum dia haja reciprocidade?
Até que ponto escrevemos para desabafar e desafogar as angústias do coração?
Até que ponto falamos para ajudar em vez de falar para machucar?
Até que ponto trabalhamos por obrigação e sufocamos nossa autorrealização?
Até que ponto olhamos para a inocência divina de uma criança e esquecemos que tivemos a nossa?
Até que ponto um político rouba o erário ou a consciência coletiva e silenciamos a nossa?
Até que ponto ignoramos o sofrimento daquele à nossa frente para preservar nosso ego?
Até que ponto jogamos no campeonato da vida e esquecemos que a torcida é Dele?
Até que ponto corremos determinados a chegar ao ponto de chegada sem saber o destino ou conhecer quem somos?
Até que ponto ouvimos o outro ou um amigo sem ouvir a verdade plena dele?
Até que ponto discursamos com a sinceridade necessária para fazer o outro ouvir?
Até que ponto respeitamos pai e mãe além do básico, fazendo cada um rir de si?
Até que ponto valorizamos o que temos e perdoamos quem perdemos?
Até que ponto lembramos daqueles que enterramos e moram hoje em uma colônia espiritual?
Até que ponto celebramos os valores e as lições daqueles que nos inspiram?
Até que ponto um escritor chega para revelar as dores da sua própria alma?
Até que ponto conseguimos digerir as ações inúteis de juízes e ministros cheios de interesses suspeitos?
Até que ponto suportamos a permanência de um presidente da República impertinente?
Até que ponto somos submissos à ditadura do relógio e do tempo, em detrimento dos ciclos da vida?
Até que ponto irradiamos alegria aos sofredores que dela precisam?
Até que ponto consumimos carros, comida e roupas absurdos e renegamos homens de rua ao papel de papéis?
Até que ponto paqueramos pelo celular com o olhar focado numa tela, em vez de olhar para um outro olhar?
Até que ponto levantamos a moral de um companheiro em vez de rebaixar?
Até que ponto cuidamos dos nossos cachorros alucinados com o dia a dia ao redor?
Até que ponto a internet ocupa as vinte e quatro horas do cotidiano que passa tão rápido?
Até que ponto compreendemos nosso cônjuge sem brigar por um motivo banal?
Até que ponto saboreamos um alimento, mastigando com a devida lentidão?
Até que ponto bebemos um copo de água conscientes de que aquele elemento químico é uma dádiva de Deus?
Até que ponto observamos um rio poluído com a esperança de que um dia vamos nadar nele?
Até que ponto vemos um homem fazer um animal sofrer sem mover um gesto contra o agressor?
Até que ponto consegue observar um bicho inocente desamparado na rua?
Até que ponto a verdade sobrepõe-se à mentira e à falsidade?
Até que ponto os seus direitos não ferem os meus e até que ponto os meus não ferem os seus?
Até que ponto uma igreja pode proferir o nome do Filho de Deus para pescar almas e prometer o Céu?
Até que ponto um homem de bem é visto como homem de bem quando não tem bem?
Até que ponto vive um homem que sabe viver a vida?
Até que ponto vive o homem? Até o ponto do tempo em que o coração para de bater e o cérebro morre. Até o ponto da falência múltipla dos órgãos do corpo. Até o ponto em que o verme devora esse corpo e esse corpo vira terra. Da Terra.


fev 18 2018

Mundos

Ele cansou do mundo real, aquele que a maioria chama de Externo. A família, o trabalho, a academia, o casamento, a televisão, o tênis. Nada mudava. Queria encontrar o novo e vivenciar esse novo. Tomou uma decisão radical: rompeu com a mulher, com tudo. Resolveu inovar. Mudou-se para uma casa no meio do mato, sem água nem energia elétrica. Só coleta de esgoto, por fossa. Seis meses depois, descobriu um mundo novo. Prestava pouco atenção para ele: a maioria chama esse universo pouco explorado de Interior. Esse lugar tão difícil de chegar, na cidade grande. Tantas coisas distraem a gente: smartphone, YouTube, Netflix, telejornais, novelas, filmes, baladas, bares, influenciações diversas. O sujeito passou a meditar muito mais. A caminhada virou rotina. Aprendeu a contemplar (e ouvir) o ambiente. Sente melhor, pensa melhor. O contato com os outros, essencial, melhorou. Entre as atrações do Exterior, manteve o bom e velho telefone. Voltou a trocar experiências via voz, sentia falta disso. Toda essa mudança, que alterou a sua totalidade interior, começou numa tarde de domingo, pós-carnaval, absolutamente desgastado, quando percebeu o absurdo que se transformou: depois de mais de vinte horas em frente à televisão, entre séries e filmes, enxergou a si mesmo, de fora do corpo, inerte e imóvel, sentado no sofá. O elemento comparou aquela vida a uma outra, aquela outra Interior, em que caminha e medita. Concluiu que a mudança era necessária. E foi. Hoje, ele procura meios de divulgar a sua doutrina. Interior. De busca interior. Vislumbre de uma verdade, entre outras.


fev 1 2018

Tentou e dançou

O sujeito fazia de tudo para ficar zen. O amigo sugeriu orar. Ele orou. O chefe mandou-o fazer acupuntura. Ele submeteu-se à agulha do médico acupunturista. A melhor amiga recomendou yôga. Ele fez, em duas escolas, em duas épocas diferentes. Um esportista emprestou a raquete e fez propaganda do tênis. Embarcou na onda, não acertou o backhand, descobriu que a bolinha esvazia e desistiu. A personal trainer incentivou a correr. Correu, parou, correu, parou de vez, com o tênis novo que acabara de comprar. Voltou a nadar, depois de vinte e cinco anos parado. Irritado com a água e com a professora preguiçosa do clube, afastou-se. Começou a meditar. Participou de meditação em grupo, com Ma Amrita Keli. O verbo que melhor resume essa experiência: organizar. Saiu de lá com a mente organizada. Os arquivos arrumados, cada documento em sua gaveta certa. O que afastou sua mente daquele templo foi a falta de convicção de que aquela atividade era certa para ele. Algum tempo depois, ainda passou pelo consultório de um bruxo, seguidor de H’ Sui Ramacheng. Ele tentou direcionar seu foco para a área da “não mente”, mas não conseguiu. Os dramas seguiram em curso no campo do insconsciente. Finalmente, assumiu a monitoria dos cursos da Latino Escola de Dança. Durou só um dia. Um professor alto e exigente acabou com o aprendiz, disse que não servia para a função. Tudo muito passageiro. Até que um especialista em reflexologia, com sabedoria japonesa, deu a direção: “Focar em uma atividade possível”. Depois de ter certeza de que tentou e dançou, resolveu seguir em frente da forma mais simples possível: fazer algo que gosta. Toda manhã, depois das obrigações, desliga a mente – faz meditação. Duas vezes por semana, pratica natação. Curte a sensação de relaxamento que esse esporte dá. Lê textos edificantes, alguns cristãos e outros não. Esse foco nessa ação integrada – entre meditar, nadar e ler – inspira sua alma para novos desafios, diferentes caminhos, outras buscas incessantes, com serenidade.


jan 30 2018

Discurso vs. ação

“Brasileiros e brasileiras, eu fiz. Farei. Digo que fiz o que não fiz. Brasileiros e brasileiras, votem em mim”. Daqui a oito meses, nós eleitores veremos um novo ou uma nova presidente. Produto do horário gratuito de rádio e televisão (propaganda eleitoral), que revelou-se uma verdadeira farsa desde a época da reabertura (Fernando Collor) até o mais recente pleito, cuja plataforma a ex-presidente Dilma Housseff esqueceu de colocar em prática. Em todo caso, devemos pensar no momento, no instante, no agora. Proponho relacionar os ditos cujos, todos os pré-candidatos e, depois, candidatos, e anotar tudo o que eles falam para os jornalistas e os seus programas gratuitos, pagos através de renúncia fiscal. Proponho a elaboração de um documento, devidamente protocolado em cartório. Proponho a publicação desse documento de metas e promessas, publicadas pelo próprio vitorioso, com vistas a enganar a população para elevar sua quadrilha ao poder. Proponho mover uma ação civil pública no sentido de acompanhar o governo do dito cujo. A cada passo em falso, diferente daquela meta ou promessa difundida no período da farsa eleitoreira, proponho um novo processo. Um processo atrás do outro, de modo que facilite aos meios de comunicação desnudarem a farsa. Proponho o impeachment do dito cujo caso não cumpra o que disse durante a farsa eleitoreira. Proponho que os processos impeçam que o discurso vença a ação, que impeçam que a mentira derrote a verdade. Proponho que, se possível, a imprensa elimine o mal pela raiz. Que durante a farsa eleitoreira alertem os ditos cujos de que estão sendo monitorados e que o processo será infalível. O processo eliminará a farsa. O processo eliminará o discurso mentiroso. A ação efetiva prevalecerá. Mas para o processo funcionar, depende de um aliado fundamental: o aliado vendado, a Justiça. Corrompida, não barrará o avanço dos corruptos. Sem a Justiça, avançarão ligeiros ao poder, como ratos.


jan 24 2018

Ouvir faz bem

Lembro que a dúvida sempre rondou Eduardo. Quando criança, perdeu-se no zoológico. O professor esqueceu o menino no banheiro. OUVIU a orientação dos pais, semanas antes, de que deveria esperar no mesmo lugar, para ser achado. Recordou daquilo no momento de pânico e resolveu ficar ali. Minutos depois, o mestre apareceu, sorriu e desculpou-se. Na adolescência, quando surgiu a chance de sair com a menina mais bonita da classe, lembrou da sua supernamorada, uma estudante exemplar. OUVIU de sua mãe que o valor da lealdade não tem preço. Ligou para a parceira Marieta e teve uma inesquecível noite de amor com ela. Ignorou a tentação. Na juventude, antes de escolher a profissão, o pai recomendou Administração. OUVIU o mesmo conselho da mãe Dona Maria. Escolheu Jornalismo, OUVIU a voz da emoção, ignorando a razão. Na meia-idade, nos últimos três anos, passava por vários esportes. Pulava de galho em galho, sem focar em um. Até que Miyagi sugeriu: “Faça natação, treine por dois anos, concentre-se”. OUVIU com atenção esse meu sábio amigo de descendência japonesa. “Depois, se quiser evoluir no condicionamento, pode fazer yôga para dar elasticidade e tratar a ansiedade”. OUVIU Miyagi e resolveu tornar tudo mais simples no dia a dia. OUVINDO as pessoas, a vida torna-se simples. Prestando atenção a cada instante, a cada gesto, a cada som e palavra do outro, a vida torna-se simples. A vida é simples, quando a gente ouve de verdade. Eduardo, um turrão teimoso, hoje vive melhor. OUVE mais e fala menos. Compreende mais e doa amor.