mar 3 2018

Até que Ponto?

Até que ponto o ser humano pensa para chegar à perfeição?
Até que ponto nos esforçamos para preservar a nossa saúde e respeitar a do outro o suficiente?
Até que ponto fazemos e sentimos no sentido de evoluir, de evoluirmos juntos, sem aquele gesto competitivo?
Até que ponto amamos plenamente, superando as limitações do materialismo?
Até que ponto chegamos ao ponto de equilíbrio necessário e real, não aquele ilusório e conveniente?
Até que ponto respeitamos o próximo para sermos respeitados?
Até que ponto agradamos aos outros para merecer alguma atenção?
Até que ponto dedicamos nossa paciência e nosso foco a quem precisa para que algum dia haja reciprocidade?
Até que ponto escrevemos para desabafar e desafogar as angústias do coração?
Até que ponto falamos para ajudar em vez de falar para machucar?
Até que ponto trabalhamos por obrigação e sufocamos nossa autorrealização?
Até que ponto olhamos para a inocência divina de uma criança e esquecemos que tivemos a nossa?
Até que ponto um político rouba o erário ou a consciência coletiva e silenciamos a nossa?
Até que ponto ignoramos o sofrimento daquele à nossa frente para preservar nosso ego?
Até que ponto jogamos no campeonato da vida e esquecemos que a torcida é Dele?
Até que ponto corremos determinados a chegar ao ponto de chegada sem saber o destino ou conhecer quem somos?
Até que ponto ouvimos o outro ou um amigo sem ouvir a verdade plena dele?
Até que ponto discursamos com a sinceridade necessária para fazer o outro ouvir?
Até que ponto respeitamos pai e mãe além do básico, fazendo cada um rir de si?
Até que ponto valorizamos o que temos e perdoamos quem perdemos?
Até que ponto lembramos daqueles que enterramos e moram hoje em uma colônia espiritual?
Até que ponto celebramos os valores e as lições daqueles que nos inspiram?
Até que ponto um escritor chega para revelar as dores da sua própria alma?
Até que ponto conseguimos digerir as ações inúteis de juízes e ministros cheios de interesses suspeitos?
Até que ponto suportamos a permanência de um presidente da República impertinente?
Até que ponto somos submissos à ditadura do relógio e do tempo, em detrimento dos ciclos da vida?
Até que ponto irradiamos alegria aos sofredores que dela precisam?
Até que ponto consumimos carros, comida e roupas absurdos e renegamos homens de rua ao papel de papéis?
Até que ponto paqueramos pelo celular com o olhar focado numa tela, em vez de olhar para um outro olhar?
Até que ponto levantamos a moral de um companheiro em vez de rebaixar?
Até que ponto cuidamos dos nossos cachorros alucinados com o dia a dia ao redor?
Até que ponto a internet ocupa as vinte e quatro horas do cotidiano que passa tão rápido?
Até que ponto compreendemos nosso cônjuge sem brigar por um motivo banal?
Até que ponto saboreamos um alimento, mastigando com a devida lentidão?
Até que ponto bebemos um copo de água conscientes de que aquele elemento químico é uma dádiva de Deus?
Até que ponto observamos um rio poluído com a esperança de que um dia vamos nadar nele?
Até que ponto vemos um homem fazer um animal sofrer sem mover um gesto contra o agressor?
Até que ponto consegue observar um bicho inocente desamparado na rua?
Até que ponto a verdade sobrepõe-se à mentira e à falsidade?
Até que ponto os seus direitos não ferem os meus e até que ponto os meus não ferem os seus?
Até que ponto uma igreja pode proferir o nome do Filho de Deus para pescar almas e prometer o Céu?
Até que ponto um homem de bem é visto como homem de bem quando não tem bem?
Até que ponto vive um homem que sabe viver a vida?
Até que ponto vive o homem? Até o ponto do tempo em que o coração para de bater e o cérebro morre. Até o ponto da falência múltipla dos órgãos do corpo. Até o ponto em que o verme devora esse corpo e esse corpo vira terra. Da Terra.