ago 28 2018

Tempo flow

Raí tem problema com o tempo. Não tem a tal pontualidade britânica, perde a hora para acordar, perde avião e ônibus, se atrasa em encontros, vive com relógios atrasados. Raí tem problema com o tempo. Dorme muito, passa o tempo fazendo coisas sem sentido e sem objetivo. Palavra cruzada, Netflix, quebra-cabeça, novela das seis. Perde tempo. Resolve mudar. Medita e ora. Medita e ora. Medita e ora, nos momentos de folga. Sente melhor o tempo. Passa a aproveitar o tempo. Depois, corre. Corre, corre. Medita, ora, corre. Até que decide dançar. Medita, ora, corre e dança. Come menos e melhor. Come pouco. Come quase nada. Sereno, volta a escrever. Escreve, escreve, escreve. E medita e ora. E corre e dança. O tempo deixa de ser um problema. Preenchido com alegria, virou flow. Tempo flow.


ago 3 2018

Atenção em cada ação

Hoje é 3 de agosto. Horário: meio-dia e 55 minutos. Cidade de São Pedro, Estado de São Paulo. Este é o agora. Apesar da realidade estar à minha frente, com imagens atualidadas constantemente pelos circuitos formados pelos olhos e cérebro, um mecanismo insiste em funcionar para atrapalhar o dia a dia: a memória, que tira o foco do momento presente e leva-nos ao passado. Quando não volta, projeta para o futuro, gerando aquilo que a ansiedade antecipatória. A memória provoca um movimento elástico, de vai e volta, que não para no meio – no segundo atual, neste instante – e cria fascinação, saudosismo, os chamados “sonhos”. Aquela namorada com quem era feliz e magoou não existe mais. Aquele emprego que adorava e trocou por outro não existe mais. Aquele estágio dos sonhos que deixou para trás não existe mais. Tudo não passa de imaginação, que atrapalha a caminhada. Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco e morrer de solidão, prenuncia uma música dos Titãs. Para saber viver, e ensinar a viver, uma amiga já em outro plano há 25 anos, por acaso minha avó, em certo ponto do tempo escreveu-me: “Querido neto, o amor do Pai Criador é tão grandioso que permite que o amor que temos uns com os outros nunca se perca e sempre permaneça no coração, dando-nos oportunidade de alegrar com as alegrias dos amores do nosso coração, como também sentir as tristezas, as mágoas dos entes queridos e, também, Rodrigo, temos a oportunidade de cultivar bons pensamentos, que sempre clareiam e dão forças para viver com mais atenção nas ações diárias, não esquecendo jamais que cada um é o artista da própria vida”. Ela encerra a mensagem, aconselhando-me a distribuir “as luzes da compreensão, da coragem e da confiança, silenciosamente”. Sabedoria que comove. Temos que aprimorar a habilidade de farol, de cultivar a atenção no momento presente, neste instante, com amor e alegria. Criar o roteiro da vida com criatividade e misericórdia. Nada vale mais que amar a si e ao próximo. Daí a necessidade de vigiar e amar. O caminho é esse. Sigamos, com as luzes ligadas.