Devolução

Meu celular não recebia sinal. Fiquei refém do táxi. Tive que pedir um. Entrei no carro. Estofado sujo. Cheiro de cigarro. O aplicativo 99taxis do taxista começou a apitar. “Oi, oi. Esperei você por quinze minutos. Espere aí”, disse o taxista. E emendou esta: “Moço, tenho que devolver o senhor”. A cliente atrasada exigiu a presença do taxista, ameaçou reclamar com o app. Ele deu meia volta e fez o que disse: devolveu minha pessoa ao ponto. O gerente se desculpou: “Isso não pode acontecer. Passageiro não se trata desse jeito. É taxista de aplicativo”. Meu histórico com a 99taxis não era dos melhores. Lembro que nunca deram a minha primeira corrida grátis (promessa de campanha). Sempre que tentava chamar um carro, o aplicativo girava, girava, e me enrolava. Nunca vinha táxi. E quando vem, sou devolvido. Na próxima vez que acionar o 99taxis, vou pregar uma placa na camiseta com os dizeres: “Não aceitamos devolução”. Naquela noite, eu fiquei muito mal, triste, com autoestima baixíssima. Lembro que desisti dos táxis. Fui para o ponto do ônibus, em frente ao Shopping Cidade Jardim. Com ódio dos aplicativos. E de mim.


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