Despedidas

Lara é uma neta exemplar. Trabalha, estuda, ajuda pai, mãe, avô e avó. Secretária bilingue de uma empresa transportadora, destina o maior bolo do dinheiro para a família. Carinhosa, sempre teve o sonho de conhecer alguém e casar. Um pouco triste, amargurada por ter sido abandonada pelo noivo, ainda nutria esperanças de unir seus trapos com os de algum homem bom. Até que Seu Odair fica doente. Moradora de Santos, Lara se desloca até São Paulo, para se despedir do querido parente. Ele sempre torceu pela menina, desde criança. Amoroso, dava dicas para ela ser feliz. Lara se aproxima do leito e vê o avô em fase terminal. Ela sussura no ouvido do velho: “Vô, não esqueci do segredo. Estou pensando positivo. Cultivo minha fé a cada segundo. Sou feliz. Sou vitoriosa, porque tenho o senhor a meu lado. Obrigado, vô. Eu te amo muito”. Ele, de repente, sorriu. Alegre, ela correu para o Metrô, com receio de perder o ônibus. A greve dos caminhoneiros a preocupava. Não podia deixar de trabalhar. Na estação Campo Limpo, conheceu um jovem, que a encantou. Ele a orientou sobre como chegar a seu destino e ouviu pacientemente sua história. Mas nada disse. Misterioso, o rapaz. Chegou a estação dela, agradeceu. Saltou do trem. Esqueceu dos contatos. Ficou na memória o brilho daqueles olhos e a esperança de encontrar seu príncipe. A porta fechou e ele se foi. Outro dia, quem sabe.


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